DESPERTAR

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Meu interesse pelas artes teve início ainda na infância,ao admirar minha avó paterna sempre em frente à seu cavalete, pintando sem jamais cansar.Era como se fosse transportada para um outro mundo que só ela enxergava e trazia para as telas. Seus “alagados”  foram marca registrada, paisagens que eram criadas como se estivessem alí à sua frente.

Este mundo mágico me encantou e logo cedo uma grande força me impulsionava à pegar lápis ou carvão e sair desenhando tudo o que me atraía.

Observava os contrastes entre luz e sombra,   tinha cuidado com as proporções e tentava intuitivamente dar relevo ao que estava sendo desenhado.

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Meu pai sempre foi um grande incentivador,  pois como eu,    também tinha sido encantado por esta força Divina.

Meu grande sonho… cursar Belas Artes, este não pôde ser realizado por razões maiores,mas nunca foi esquecido, apenas guardado com a promessa de que um dia seria realizado.

Aos quinze anos uma mensagem me chegou às mãos,  não lembro como,    mas foi guardada  e reencontrada à pouco, não tem título nem autor, apenas a data e um grande significado que só agora pôde ser entendido:

HOJE, NÃO PODEIS VER NEM OUVIR, E É MELHOR ASSIM!
MAS UM DIA, O VÉU QUE COBRE VOSSOS OLHOS SERÁ RETIRADO PELAS MÃOS QUE O
TECERAM E A ARGILA QUE OBSTRUI VOSSOS OUVIDOS, SERÁ ROMPIDA PELOS DEDOS
QUE A AMASSARAM.
ENTÃO VEREIS!
ENTÃO OUVIREIS!
NÃO DEPLORAREIS TER CONHECIDO A CEGUEIRA E A SURDEZ, POIS, NAQUELE DIA,
COMPREENDEREIS A FINALIDADE OCULTA DE TODAS AS COISAS, E BENDIREIS AS TREVAS, 
COMO BENDIZEIS A LUZ."
                                         (autor desconhecido)

 

IMG_2996 Cursei arquitetura e exerço por 31 anos, mas o sonho que continuava guardado começou a incomodar. Ele chegava de repente despertado pela imaginação que explorava a criatividade, e lá estava a vontade de materializar, de pôr a “mão na massa”.                       Livros sobre arte, técnicas de desenho e pintura sempre foram explorados, e assim fui aprendendo e buscando minha identidade.                                                                                      Alguns artistas me tocam a alma, como Carlos Araújo, vejo espiritualidade em tudo que ele faz e é isto que sempre busquei, crescer espiritualmente.

Vejo a vida como um aprendizado constante e a arte um portal sagrado de encontro com o Divino

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Este pequeno trecho de uma oração, define o que me move na vida:

“SENHOR, QUE MINHAS MÃOS SEJAM TÃO ÚTEIS COMO AS AVES, QUE ATRAVÉS DE SEUS DELICADOS BICOS, ESPALHAM SEMENTES FORMANDO GIGANTESCAS FLORESTAS.”

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É assim que realizo meu trabalho, colocando nele o que há de melhor em mim, deixando que a intuição me guie. Não me prendo às regras nem técnicas, faço aquilo que meu coração pede. Quando mudo as perspectivas, crio novas possibilidades.

A criatividade é fluida, me deixo ser levada por ela, sem resistir ou lutar.

Não foi fácil dar este passo, mudar uma vida inteira dedicada à arquitetura e começar outro caminho precisou muita coragem. Coragem para enfrentar o novo, a insegurança, os questionamentos e surpresa da família, amigos e clientes. Cheguei a pensar se estaria louca em recomeçar após os 50 anos, foi quando li um artigo sobre a artista cubana Carmen Herrera, mudando este pensamento por completo. Carmen vendeu sua primeira obra aos 89 anos e hoje com 101 continua trabalhando todos os dias e fala: “Sem isso, o que restaria?”.

O mais fascinante em sua obra Suprematista, é a interpretação que a própria artista dá, baseada como ela fala, na história da freira carmelita Teresa de Ávila: “É sua simplicidade e franqueza que me atraem. Alguns acham que é sobre rigidez, eu acho que é sobre clareza”, afirma ela.IMG_2994

Carmen Herrera possui obras nas principais coleções do mundo, e continua expondo em galerias e museus renomados.

Uma viagem feita recentemente à Riviera Maya me fez entender o que estou vivendo neste momento. Os mayas acreditavam que a vida tem um ciclo de 52 anos que se renova, um novo ciclo começa e levamos para ele todo o aprendizado do ciclo anterior. Hoje, aos 55 anos, me sinto assim, começando outro ciclo de vida.

Acredito que estamos aqui habitando um corpo físico e que nosso espírito continua vivenciando estes ciclos e crescendo cada vez mais, em direção a algo muito maior, que nossa compreensão ainda não alcança.

Confio e tento juntar na minha arte estes dois mundos, o material com o espiritual.

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